terça-feira, 7 de julho de 2009

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Futebol



O futebol é como uma bola de futebol :

é oco e não tem ponta por onde se pegue.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

3



"A minha relação com as tulipas é inerentemente "lynchiana".

Acho-as repugnantes!
Uma flor é, basicamente, um convite aberto a todos os insectos e abelhas
"Venham! Venham e forniquem-me!"
Será que as pessoas têm consciência do quão terríveis as flores são?
Acho que as flores deviam ser proibidas às crianças."


O texto pertence a "The Pervert's Guide to Cinema",
um documentário sobre cinema, desejo e sexo do filósofo e psicanalista esloveno Slavoj Žižek absolutamente imperdível!

As duas tulipas pertenceram ao meu jardim.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Dia dos enamorados

O teu amor veio até ao meu coração e partiu feliz.
Depois regressou, mas, mais uma vez, foi-se embora.
Timidamente, pedi-lhe que ficasse, ao menos por algum tempo.
Ele sentou-se junto a mim
e esqueceu-se de partir.

-Vem ao pomar na Primavera.
Lá, teremos todas as belezas do mundo, o vinho, a luz...
-Sem ti, que posso eu fazer com tudo isso?
E, se estás comigo, para que preciso disso?



Vem.
Vou dizer-te, em segredo,
aonde leva esta dança.

Vê como as partículas do ar
e os grãos de areia do deserto
giram desnorteados.

Cada átomo,
feliz ou miserável,
gira apaixonado
em torno do sol.



3 poemas de Mawlana Jalal ad-Din Muhammad Rumi ou, simplesmente, Rumi,
poeta persa que viveu entre 1207 e 1273, época em que, fora da Europa, tudo girava à volta do sol...
e o Amor merecia já toda a poesia.

Rumi disse (ou apenas escreveu) que não era cristão, ou judeu, ou muçulmano, ou hindu, ou budista ou zen. Não era do Este nem do Oeste.
Pertencia aos que amam e são amados.


domingo, 8 de fevereiro de 2009

G



Quis o Tempo doar-me um infinito minuto.

Numa praia deserta em pleno Outono ele, islâmico, devoto e fervoroso crente, disse-me com olhar sério: não devemos orar durante o pôr-do-sol.
Eu olhei para o mar ao entardecer, iluminado pela força tangente da última luz e, sem palavras, perguntei porquê.
Porque se confunde com uma oração ao Sol, fonte de vida, mas não da Vida.; porque nos tempos do paganismo se orava ao Sol para que ele regressasse no dia seguinte; porque...

Olhei-O de frente, agora que já se punha vermelho forte no fim do oceano, em horizonte límpido.
Ficámos em silêncio, fitando-O em olhares paralelos. Sem a noção do tempo...
Quando nos desapareceu do olhar mergulhando no mar, deixando-nos uma luz de matizes efémeras, olhámo-nos de frente e sorrimos, suavemente.
Eu orei - disse-lhe, sem palavras.
Ele percebeu. E perdoou-me também.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

2

Somos diferentes como códigos de barras, somos tão iguais quanto cristais de neve.
É pelo desejo de querer, de crer ser desejado e de querer fundir o corpo para sentir "a pequena morte" que abdico de ser diferente.
Sinto-me uma das zebras de Vasarely em voluptuosa e confusa fusão, só preto e branco, nenhuma e todas as cores. Não acabo nem começo, continuo em ti.

e depois...
depois do amor acabar - o desejo acaba como uma lâmpada fundida, está lá tudo exactamente como antes e não há luz - depois do desejo ser saciado queremos a diferença e a distância que ela exige. Sim, nós somos diferentes, muito diferentes. Sim, confundi desejo com amor. Amar e desejar são diferentes, sim. Talvez fosse melhor o contrário. Durante todas as pequenas mortes que vivemos tive a certeza que desejar e amar eram iguais para todo o sempre. Mas não.

Sim, nós somos diferentes, muito diferentes, por isso temo a chegada do dia em que olhe para ti e veja uma zebra igual às outras.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

1

Lar doce lar,
numa foto tirada a 6 horas-luz de distância

"That's here. That's home. That's us. On it everyone you love, everyone you know, everyone you ever heard of, every human being who ever was, lived out their lives. The aggregate of our joy and suffering, thousands of confident religions, ideologies, and economic doctrines, every hunter and forager, every hero and coward, every creator and destroyer of civilization, every king and peasant, every young couple in love, every mother and father, hopeful child, inventor and explorer, every teacher of morals, every corrupt politician, every "superstar", every "supreme leader", every saint and sinner in the history of our species lived there - on a mote of dust suspended in a sunbeam."



É ali. É a casa. Somos nós. Nesse ponto, todos aqueles que amamos, conhecemos, de quem já ouvimos falar, todos os seres humanos que já existiram ali vivem ou viveram as suas vidas. A soma das nossas alegrias e sofrimentos, todas as inúmeras religiões, ideologias e doutrinas económicas, todos os caçadores e saqueadores, heróis e covardes, criadores e destruidores de civilizações, reis e camponeses, jovens casais apaixonados, pais e mães, todas as crianças, todos os inventores e exploradores, professores de moral, políticos corruptos, vedetas, líderes supremos, todos os santos e pecadores da história da nossa espécie, viveram ali - num grão de poeira suspenso num raio de sol.

Carl Sagan

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

0

Esta é uma pomba da minha rua.
Como todas as outras pombas é um símbolo da Paz, mas a minha rua, que não está em guerra, esta pomba dedica-se a sujá-la.
É promíscua. Durante 1 ano chega a curtir com mais de vinte pombos, apesar de eles terem um arrulhar maçante e monocórdico. Libertina como é, livra a sua espécie do risco de extinção.
As pombas desde há séculos que são incentivadas a fixar residência nas cidades, porém a sua fama de mensageiras de paz e de boas novas, o motivo para justificar aí a sua permanência, raramente se tem confirmado.
O seu apurado sentido de orientação, trunfo que usaram em tempos desnorteados, não lhes tem servido para regressarem ao campo, de onde nunca deveriam ter saído. Utilizam-no na procura do melhor local para alvejar com a sua viscosa e suculenta caca.
Há quem creia que a sua missão na Terra é, com a ajuda dos columbófilos, forrar com merda as cidades que parasitam.
A maior parte das pombas nunca viu uma oliveira.
Sim, assumo que estou em guerra com os pombos da minha rua, mas...

Hoje é o Dia Mundial da Paz

É bom que no planeta Terra, durante o ano, haja 1 dia da Paz e nos restantes se possa fazer, ou não fazer, a Guerra. Se fosse ao contrário, as consequências poderiam ser ainda mais desastrosas.

Esta é uma criança que mora muito longe da minha rua.
Desejo a ela, e ao planeta que com ela partilho, todo o ano de 2009 em Paz.